Guia de decisão

Como escolher uma raquete de tênis

Uma raquete de tênis tem cinco números que decidem tudo, e nenhum deles aparece na vitrine da loja. Este guia percorre os cinco na ordem em que eles pesam de verdade, diz o que fazer quando você não tem certeza, e — mais importante — diz o que você pode ignorar sem medo na primeira compra.

Peso: o número que você não conserta depois

Peso é o primeiro corte porque é o único que não tem volta. Uma raquete leve pode ser deixada mais pesada (chumbo na cabeça, no cabo, overgrip), mas uma raquete pesada não fica leve — e é aí que a maioria das primeiras compras dá errado: a pessoa compra a raquete do ídolo, aguenta dois sets, começa a bater com o braço em vez do corpo e termina com dor no cotovelo.

O peso que interessa é o da raquete encordoada, que é uns 15 a 20 g acima do peso de catálogo (o catálogo costuma informar sem corda). Praticamente todo fabricante publica o valor sem corda, então some 15 g mentalmente ao que você lê.

255 a 275 g — começando agora
Fácil de manobrar, perdoa técnica em formação, cansa pouco. Em troca, devolve menos bola: você vai ter que gerar a potência. É a faixa certa para quem joga uma vez por semana ou está saindo da aula.
275 a 300 g — jogando com regularidade
O grosso do mercado adulto e a faixa em que a maioria fica para sempre. Estabilidade suficiente para não ser jogada para trás numa bola pesada, sem exigir preparo físico.
300 a 320 g — técnica formada
Absorve o impacto de quem bate forte do outro lado e mantém a bola firme no bloqueio. Exige preparação de golpe: se você chega atrasado na bola, esse peso trabalha contra você.
Acima de 320 g — circuito
É onde estão as raquetes dos profissionais. Não é uma questão de "evoluir até lá": a maioria dos amadores joga melhor a vida inteira abaixo dos 310 g.

A raquete de um profissional é quase sempre a compra errada. Além do peso, ela costuma ser feita sob medida na fábrica e às vezes é um molde antigo com a pintura do modelo atual. A versão "team" ou "lite" da mesma linha entrega a mesma sensação com muito mais tolerância.

Tamanho da cabeça: quanto erro a raquete perdoa

A cabeça (medida em polegadas quadradas) define o tamanho da área que ainda devolve uma bola decente quando você não acerta o centro. Cabeça maior = mais perdão e mais potência de graça; cabeça menor = mais controle e mais sensação, com a conta de que o erro de centro passa a doer.

Se você ainda erra o centro com frequência — e todo mundo que está começando erra — cabeça grande não é muleta, é o que mantém o jogo jogável enquanto a técnica se forma.

105 a 115 pol² — máximo perdão
Bola sai mesmo quando você acerta na ponta. Boa escolha para começar e para quem joga socialmente.
100 pol² — o padrão
O melhor equilíbrio entre perdão e controle, e por isso o tamanho mais vendido do mundo. Se estiver em dúvida entre faixas, é aqui.
95 a 98 pol² — controle
Para quem já coloca a bola onde quer e sente que a raquete grande "voa". Não compense a técnica com cabeça pequena: ela cobra.

Balanço: onde o peso está, não quanto ele é

Duas raquetes de 300 g podem jogar de formas opostas dependendo de onde esse peso mora. Balanço é a distância do cabo até o ponto de equilíbrio: quanto mais perto da cabeça, mais a raquete "pesa" no swing (mais bola, menos agilidade); quanto mais perto do cabo, mais rápida ela é na mão (melhor na rede e no saque-voleio).

A regra que funciona na prática: raquete leve costuma vir com balanço na cabeça (para compensar a falta de massa) e raquete pesada com balanço no cabo (para não ficar impossível de manobrar). Se você comprar leve E com balanço no cabo, vai sentir a bola morrer.

Swingweight é o número honesto
Ele mede o peso que você realmente sente no movimento, combinando massa e distribuição. Dois modelos com o mesmo peso e o mesmo balanço podem ter swingweight bem diferente — quando o valor existe, ele vale mais que os outros dois juntos.

Rigidez (RA) e o seu cotovelo

RA mede quanto o aro deforma no impacto. Aro rígido devolve mais energia para a bola — e devolve mais choque para o seu braço. Aro flexível absorve o impacto, cansa menos o cotovelo e pede que você gere mais da potência.

Abaixo de RA 65 a raquete é considerada flexível; acima de 68 já é rígida; acima de 70 é francamente dura. Se você tem histórico de dor no cotovelo (ou já ouviu falar de "tennis elbow" na primeira pessoa), esse é o número a olhar antes de qualquer outro — e a corda importa ainda mais que a raquete nessa conta.

Raquete rígida com corda de poliéster nova é a combinação que mais manda gente ao fisioterapeuta. Se a sua raquete é dura, encordoe com multifilamento ou reduza a tensão.

Empunhadura: o único número que depende do seu corpo

Todos os outros números são preferência. Este é medida. Empunhadura pequena demais faz você apertar o cabo com força extra o tempo todo (caminho curto para dor no antebraço); grande demais impede o giro de punho e trava o swing.

Para medir: abra a mão dominante e meça, em milímetros, da prega horizontal do meio da palma até a ponta do dedo anelar. O número que sai é praticamente o tamanho de grip.

Medida da mãoTamanhoCircunferência
até 103 mmL0 / L14" a 4 ⅛"
104 a 106 mmL1 / L24 ⅛" a 4 ¼"
107 a 109 mmL2 / L34 ¼" a 4 ⅜"
110 a 112 mmL3 / L44 ⅜" a 4 ½"
113 mm ou maisL4 / L54 ½" a 4 ⅝"

Na dúvida entre dois tamanhos, fique com o MENOR: cada overgrip acrescenta cerca de meio tamanho, então dá para subir depois. Diminuir exige trocar o cabo.

O que ignorar na primeira raquete

Quase todo o marketing de raquete é sobre o que menos muda o seu jogo. Estas são as coisas que você pode riscar da lista sem perder nada:

A tecnologia do aro
Grafeno, câmara de ar, tecido de carbono, sistema de amortecimento com nome próprio. Cada marca tem a sua e todas fazem raquetes boas. O nome da tecnologia não te diz nada que peso, cabeça, balanço e RA não digam melhor.
Padrão de cordas (16×19 vs 18×20)
Sim, o padrão aberto gera mais spin e o fechado mais controle — e sim, é a última coisa que você vai perceber. Comece com o padrão que a raquete escolhida tiver.
A raquete que o seu jogador favorito usa
A dele é feita sob medida, e o modelo de loja com o mesmo nome geralmente não tem as mesmas especificações. Curiosidade legítima, critério de compra ruim.
A cor
Não é um critério e não tem problema nenhum que seja um empate-desempate. Só não deixe ela decidir entre 270 g e 310 g.

Quanto gastar de verdade

Preço em raquete não é linear: o salto de qualidade acontece cedo e depois a curva achata. As faixas abaixo são as que acompanhamos diariamente nas lojas monitoradas.

Até R$ 300 — alumínio
É a raquete certa para descobrir se você gosta do esporte, e fica pequena rápido se você gostar. Alumínio transmite mais choque e o formato costuma ser genérico.
R$ 400 a R$ 700 — a faixa que resolve
Aqui já entra grafite, geometria séria e as sensações que importam. É onde está a melhor relação entre o que você paga e o que muda no jogo, e onde a maioria deveria comprar a primeira.
R$ 800 a R$ 1.500 — linha principal
Os modelos que os fabricantes realmente desenvolvem, em versões "team" e "lite" acessíveis. Vale se você já joga toda semana.
Acima de R$ 1.500 — assinatura e acabamento
Você está pagando por linha de assinatura, edição especial e acabamento. O ganho de desempenho por real fica pequeno.

Uma raquete de R$ 600 com a corda certa bate melhor que uma de R$ 1.500 com a corda errada. Se o orçamento é apertado, gaste menos na raquete e reserve R$ 100 para um encordoamento decente.

Como decidir sem poder testar

O teste ideal é jogar meia hora com a raquete. Como quase ninguém consegue isso no Brasil, o caminho realista é reduzir o risco: escolha entre dois ou três modelos da mesma faixa de peso e cabeça, compare as notas por critério, e prefira o modelo que tem versão em vários pesos — assim, se você errar para cima ou para baixo, existe a mesma raquete no peso certo.

Se a sua academia ou o professor tiver raquete de demonstração, peça para bater dez minutos com duas de pesos diferentes. Dez minutos já resolvem a dúvida de peso, que é a que importa.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Qual raquete comprar para começar a jogar tênis?+

Uma raquete de grafite entre 260 e 285 g encordoada, cabeça de 100 a 105 pol² e RA abaixo de 68, no tamanho de empunhadura que a medida da sua mão indicar. Na faixa de R$ 400 a R$ 700 há várias assim. O que você quer nessa fase é perdão e conforto, não potência.

Raquete mais pesada é melhor?+

É melhor apenas para quem tem técnica e preparo para usá-la. Peso dá estabilidade contra uma bola forte, mas cobra preparação de golpe: se você chega atrasado na bola, a raquete pesada piora o seu jogo e aumenta o risco de lesão no cotovelo e no ombro.

Preciso trocar de raquete quando evoluir?+

Menos do que se imagina. Se a raquete atual não machuca o braço e você consegue jogar com ela, o dinheiro rende mais em aula e em corda nova. A troca compensa quando há um problema concreto: dor, peso claramente errado ou cabeça pequena demais para o seu nível.

Qual a diferença entre uma raquete de R$ 400 e uma de R$ 1.200?+

Material do aro (grafite melhor, camadas mais elaboradas), consistência entre unidades e acabamento. A diferença é real, mas menor do que a diferença entre a raquete certa e a errada para o seu jogo — um modelo de R$ 400 no peso adequado bate melhor que um de R$ 1.200 pesado demais para você.

Raquete já vem encordoada?+

Depende. Modelos de entrada geralmente vêm com uma corda simples de fábrica; modelos de linha principal costumam vir sem corda, e o encordoamento é contratado à parte (algo entre R$ 60 e R$ 150 com a corda). Confira antes de comparar preços: uma raquete "mais cara" já encordoada pode sair mais barata no fim.

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